





A todos nós, já nos foi perguntado o que é um texto. A questão vem sendo pensada há séculos e encontra definições bastante diversas. Sabemos que o texto pode ser verbal, oral ou impresso, e pode ser revestido de imagem. Desta forma, os textos são quaisquer sistemas semióticos passíveis de leitura ou de construção de sentido por um leitor. Para os que lidam com o texto digital, a questão é também intrigante: sendo verbal, mas não sendo oral nem impresso, o que é o texto digital? Todo texto em meio digital é hipertexto? Toda produção transferida (e simplesmente transposta) do meio impresso para o meio digital é, então, um hipertexto? A relação texto / imagem é ainda mais íntima na World Wide Web? A má diagramação no texto, na WWW, põe mais obstáculos para o leitor do que o que ocorre no impresso? Ou será que os pesquisadores têm se esquecido de verificar, na história das tecnologias de registro da escrita, que os textos jamais foram abstraídos de seus suportes? A “transparência” da diagramação e do formato dos textos dá certa sensação de que eles sejam suficientes e completos para a leitura, mas qualquer profissional de design sabe de quanto trabalho precisa um texto para dar conforto ao leitor. À medida que os leitores / usuários se apropriaram da WWW, foi-se formando uma comunidade de estudiosos também interessados em formular textos mais adequados ao meio e às demandas do leitor específico dos ambientes digitais.
O incômodo do leitor de tela passou a ser estudado e os resultados disso foram revertidos para a melhora das condições de uso do meio, ao que se denominou Usabilidade (uma especialidade das Ciências da Computação).
Alguns autores fazem a distinção diametral entre texto – impresso, supostamente linear – e hipertexto – digital, virtual, supostamente ‘em rede’
A distinção entre manuscrito e impresso é ocasionada, obviamente, pela mudança de tecnologia de registro de escrita. Já o texto eletrônico se oporia às outras duas no que possui de novidade em relação ao suporte, não mais o papel (ao menos em princípio).
Também a distinção de hipertexto impresso por oposição à de hipertexto eletrônico nos parece vaga e inadequada, já que não define o que seja hipertexto e a relação entre o texto em um e em outro material, o papel e o pixel. Portanto, pensamos que não seja adequado separar dessa forma as duas realizações do texto uma vez que o texto eletrônico pode estar na televisão, no rádio e em outros suportes eletroeletrônicos, que muito se relacionam com o gênero de texto, cada qual com suas especificidades de produção e alcance.
O que sugerimos neste (hiper)texto, entre outras coisas, é uma nomenclatura mais justa para as diversas formas de realização de um texto, de acordo, sempre, com o suporte em que ele se encontra, com tudo o que isso pode implicar para o leitor e para o produtor (autor), além de pensar a leitura hipertextual como um processo que, em larguíssima medida, independe da aparente linearidade do texto-produto. Na tentativa sincera de redefinir as diferenças, sugerimos:
· texto – como materialidade, seja ela qual e onde for;
· leitura hipertextual – como algo que a mente faz de forma balística e natural na leitura de qualquer texto, seja ele oral, impresso ou digital, linear ou não-linear em sua aparência;
· hipertexto impresso – no caso de materialidades que simulem a não-linearidade da leitura como processo mental;
· hipertexto digital – caso essa simulação ocorra no computador.
Admitindo essa diferenciação e assumindo-a como adequada e coerente, é possível afirmar que texto e hipertexto, como produtos, podem ser realizações diferentes apenas em relação às suas formatações, que, no entanto, dão ao leitor pistas importantes. A leitura, sim, será sempre um processo complexo e não-linear.
Então, boas leituras impressas ou eletrônicas!!!
Comentem o texto!!!